Who cares

Quando olhei para o relógio tinha passado tempo demais e eu abusara dos limites de leitura da minha revista das quartas. Saí. Sentei-me no carro e a cantarolar baixinho regulei os retrovisores laterais. Recuei devagarinho. Pum. Tanto acerto e esquecera-me de controlar a minha visão pelo espelho de cima. Pois. Bati num automóvel cinzento, tão cinzento quanto o casal que estava lá dentro. Saíram ambos com ar de quem todos os dias acorda disposto a embirrar com qualquer coisinha. Eu dei-lhes o mote. Depois de muito esfregar e observar descobriram uma mossa provocada obviamente pelo meu recuo a dois quilómetros por hora. Assinei o papel azul e amarelo. Segui. No viaduto, o meu caminho estava cortado, obrigando-me a entrar numa fila imensa. Quando cheguei ao escritório passava das dez e meia, hora sacrílega para quem costuma chegar às nove, como eu. Estou-me nas tintas. Hoje, o Outono assumiu-se, pleno de sol, descendo a temperatura como lhe compete. Eu avisei que gostava de Outonos assumidos, como aliás gosto de tudo na vida. Meias tintas é que não. São uma seca. E seca só quero mesmo no Verão no meio de um campo de trigo tostado pelo sol.

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