Outono

Hoje passei na Ribeira. Fiz de propósito para chegar cedo: gosto muito dos mercados logo pela manhã. 
As braçadas de espinafres, grelos e outros legumes frescos parecem flores acabadas de colher e tal como elas exalam um perfume a verde de terra.
 As leguminosas enchem sacos altos onde só apetece enfiar as mãos e roubar algumas. As maçãs e pêras chegam deitando doce pela casca como se quisessem dizer, cheias de pressa, este é o nosso momento, antes que daqui a nada cheguem os dióspiros, marmelos e anonas reclamando o seu posto na altura mais fria do ano. 
A mudança de estações baralha-me sempre. Sobretudo nos dias que separam a que é da que ainda não é mas vai ser. Só que por muito que eu me esforce, confesso que não consigo deixar de gostar de um Outono bem assumido. 
Outono sabe a doce de alperces e a compota de tomate. Cheira a marmelos e castanhas assadas. Põe na barriga o aconchego quente de uma sopa rica de feijão. Traz os amigos de volta a casa para confidências ditas ou apenas percebidas, jogos e

discussões de tabuleiro, sessões de cinema onde só me apetece observar e ter plena consciência da sorte que tenho de ter tanta gente boa em volta. 


Outono é uma palavra linda.
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